O Deep Purple é uma banda de hard rock da Inglaterra, Reino Unido,
surgida em 1968 e considerada uma das criadoras do heavy metal e do hard rock,
embora o próprio conjunto rejeite qualquer rótulo. Contemporânea de grupos como
Led Zeppelin, Black Sabbath e Uriah Heep, a marca da banda sempre foi a mistura
de guitarra e teclado, com riffs simples e fortes e solos vigorosos. Sua canção
mais conhecida é Smoke on the Water, gravada em 1972.
Para quem não é exatamente um fã do Deep Purple parece complicado
acompanhar as formações da banda. Vários dos mais talentosos músicos do rock
passaram pelo grupo, e, por causa disso, cada formação tem elementos distintos
em sua sonoridade. A árvore genealógica do conjunto alcança as principais
bandas do rock inglês dos anos 60 e 70 e, com poucos passos, chega ao jazz
(Tommy Bolin, o segundo guitarrista do Deep Purple, tocou em um disco do
baterista Billy Cobham, que tocou com Miles Davis).
História.
O início.
O Deep Purple surgiu de uma ideia exótica. No país que gerou The Beatles
e Rolling Stones, revelou Jimi Hendrix e deu o título de deus a Eric Clapton,
todos esperavam pela próxima grande idéia no campo fértil do rock. Em 1967,
Chris Curtis, ex-baterista do The Searchers, teve a ideia exótica de reunir
vários músicos muito talentosos num grupo chamado Roundabout (carrossel). Eles
se revezariam em torno do baterista, como num carrossel. Depois que a ideia foi
comprada pelo produtor Tony Edwards, o primeiro músico a topar a ideia foi o
tecladista Jon Lord, colega de Curtis nos The Flowerpot Men, onde também tocava
o baixista Nick Simper.
Era o final dos anos 60, e Curtis estava metido até o pescoço no
espírito da época. Certa vez, Lord entrou no apartamento e encontrou as paredes
cobertas de papel alumínio. Seu colega havia redecorado a casa pra mudar o
astral. Liga, desliga, cai na estrada: Curtis desapareceu. O grupo achou um
guitarrista – Ritchie Blackmore, conhecia um baterista – Ian Paice – que trouxe
um colega da The Maze – o vocalista Rod Evans. Com a saída de Curtis, acabou a
ideia do rodízio e a banda precisava trocar de nome. Em fevereiro de 1968,
depois de queimar pestana em uma lista de nomes que incluía o pomposo Orpheus,
acabou vencendo o título da música favorita da avó de Blackmore: Deep
Purple.
O primeiro disco, Shades of Deep Purple, foi lançado em setembro de
1968. Recheado de regravações (incluindo versões progressivas de Help, dos
Beatles, e Hey Joe, de Jimi Hendrix), o disco estourou nas paradas de sucesso
dos EUA com uma música de Joe South: Hush, o primeiro single da banda. Em
dezembro daquele ano, quando o segundo disco (The Book of Taliesyn) já havia
sido lançado, eles fizeram sua primeira turnê na América, acompanhando o Cream.
Nessa turnê, além de visitar a mansão de Hugh Hefner, criador da revista
Playboy, o grupo também descobriu que outro motivo de seu sucesso no Novo Mundo
vinha do nome da banda – o mesmo de uma droga então muito popular na
Califórnia. O segundo disco também trazia regravações, como River Deep,
Mountain High (sucesso na voz de Tina Turner), We Can Work it Out (Beatles) e
Kentucky Woman (Neil Diamond). A composição Wring That Neck (chamada de Hard
Road nos Estados Unidos, pela violência do nome) sobreviveu, no setlist do
grupo, à extinção da primeira formação no ano seguinte. Foi o veículo de
algumas das mais inspiradas trocas de solos entre Blackmore e Lord.
Em 1969, Blackmore e Lord estavam descontentes com a sonoridade do
grupo. Ambos queriam experimentar mais com volume e eletricidade, mas
consideravam que a voz de Evans não acompanharia as mudanças. O terceiro disco
do grupo, chamado Deep Purple, reflete a tensão de uma banda que tinha os pés
no rock inglês dos anos 60 e a cabeça em algo que ainda estava por ser criado.
Sob convite do baterista Mick Underwood, em 24 de junho, Blackmore e Lord foram
conferir uma apresentação do grupo Episode Six, de cujo vocalista (Ian Gillan)
o ex-colega de Blackmore havia falado muito bem. Os dois membros do Deep Purple
chegaram a subir ao palco para uma jam. Começou aí o mês mais tenso e
criativamente decisivo em toda a carreira do Deep Purple.
Blackmore, Lord e Paice combinaram um teste com Ian Gillan. Ele levou
seu amigo Roger Glover, baixista também do Episode Six. Juntos, os cinco
gravaram o single Hallellujah, no dia 7 de junho. Aprovados os dois, o Deep
Purple passou a ter vida dupla. Durante o dia, a segunda formação (Fase II)
ensaiava no Hanwell Community Centre; à noite, a primeira (Fase I) continuava
se apresentando como se nada estivesse ocorrendo. Evans e Simper não sabiam o
que estava por acontecer até a véspera da estreia da Fase II nos palcos, em 10
de julho. A situação era tão maluca que, em 10 de junho de 1969, Episode Six e
Deep Purple se apresentaram em bailes de Cambridge. O Deep Purple fez 11
apresentações entre a escolha dos novos membros e a estreia da nova fase; o
Episode Six, oito. Mas Gillan e Glover ainda fizeram outros quatro shows para
cumprir contrato com o E6 até o dia 26 de julho, intercalando com os três
primeiros shows da Fase II.
Os projetos que já vinham ocorrendo, porém, continuaram. O terceiro
disco tinha acabado de ser lançado na Inglaterra quando a nova formação, com
sua proposta sonora mais ousada, estreou. Jon Lord também estava finalizando
seu Concerto for Group & Orchestra, que seria apresentado no Royal Albert
Hall, com a Royal Philharmonic Orchestra, no dia 24 de setembro. Nesse dia,
além de mostrarem o novo tipo de composição idealizado por Lord (unindo as
linguagens da música erudita e do rock), os ingleses de todas as classes
sociais conheceram Child in Time, composta ainda em Hanwell. A composição
mostra tudo o que a nova formação trazia de novo em relação à anterior:
mudanças de ritmo, solos poderosos, gritos de banshee. O novo Deep Purple era
elétrico e explosivo, e isso ficaria muito claro no primeiro disco da nova
formação – In Rock, lançado em abril de 1970. Os ingleses puderam conhecer
faixa por faixa do novo disco via BBC durante os vários meses que levaram ao
lançamento. Conheceram inclusive faixas inéditas, como Jam Stew, e uma versão
primitiva de Speed King chamada Kneel and Pray, com uma letra completamente
diferente e muito mais maliciosa do que a conhecida e cantada até hoje.
O segundo disco da Fase II foi Fireball, que mantém a eletricidade mas
envereda por um caminho mais experimental. Até um country (”Anyone’s Daughter”)
o disco inclui, ao lado de longos instrumentais como os de “Fools” e rocks mais
próximos dos que havia no disco anterior, como “Strange Kind of Woman”. Os
shows da turnê de 1971, disponíveis apenas em gravações piratas, mostram uma
banda mais madura e mais ousada. É nessa turnê que Ian Gillan começa a fazer
duelos de sua voz com a guitarra de Blackmore, por exemplo.
Conquistando o Mundo.
O passo seguinte na experimentação do Deep Purple seria gravar um disco
de estúdio feito nas mesmas condições de uma apresentação ao vivo. Todos
juntos, num mesmo ambiente, criando e gravando juntos como nas longas jams
instrumentais que eles faziam no palco. Eles já tinham algumas músicas quase
prontas: “Highway Star” começou a ser criada dentro de um ônibus, quando um
jornalista perguntou como eles criavam suas músicas. Blackmore disse: “assim”,
e começou a tocar um riff agitado. Gillan entrou na farra e começou a
improvisar uma letra: “We’re on the road, we’re on the road, we’re a
rock’n’roll ba-and!”. Em setembro, a primeira versão do que seria Highway Star
já estava começando a ser experimentada no palco e no programa de TV alemão
Beat Club. É dessa apresentação que vem o clipe de Highway Star em que
Blackmore usa um chapéu de bruxo e Gillan balbucia palavras sobre Mickey Mouse
e Steve McQuinn. “Lazy” é outra canção que começou a ser testada no palco antes
de ir para o estúdio.
Em dezembro de 1971, eles haviam achado o local certo para criar e
gravar esse disco: Montreux, na Suíça, onde até hoje ocorre um famoso festival
de jazz. O melhor lugar para gravar seria o grande cassino da cidade, onde
tradicionalmente havia apresentações musicais. O cassino ainda não estava
liberado para o Deep Purple quando eles chegaram – faltava uma última
apresentação, de Frank Zappa, para encerrar a temporada. O grupo, então, foi
assistir ao show. Zappa sempre foi um inovador do rock, e naquela apresentação
em especial ele usava um sintetizador de última geração. No meio do show,
alguém põe fogo no cassino. A música pára. Zappa grita: “FOGO! Arthur Brown, em
pessoa!” e orienta os presentes a deixar o cassino calmamente. Em entrevistas,
Roger Glover conta que todos realmente estavam calmos – o suficiente para que
ele próprio ainda pudesse dar uma olhada no sintetizador antes de sair do
prédio. Enquanto isso, Claude Nobs, que até hoje organiza o Festival de Jazz de
Montreux, corria de um lado para o outro para tirar alguns espectadores de
dentro do cassino.
O grupo foi transferido para o Grande Hotel de Montreux. No inverno, ele
estava vazio, era frio e todos os móveis estavam guardados. Eles estacionaram
do lado de fora a unidade móvel de gravação dos Rolling Stones, puxaram alguns
fios, instalaram confortavelmente seus instrumentos nos corredores do hotel e
começaram a ensaiar. O resultado é que até hoje todos os shows do Deep Purple
contêm ao menos quatro das sete músicas do disco Machine Head.
A história inteira da gravação é contada em poucas palavras na música
“Smoke on the Water”, a última a ser gravada no disco. Blackmore havia criado
um riff que não fora usado, apelidado então de “durrh-durrh”. Não havia letra.
Então veio a idéia de escrever sobre o que acontecera na gravação do disco.
Gillan afirma que eles estavam num bar quando Roger Glover escreveu num
guardanapo o título da música (que significava “fumaça sobre a água”, uma boa
descrição da fotografia que um jornal publicou no dia seguinte ao incêndio).
Glover diz que a expressão lhe surgiu em um sonho e que Gillan lhe respondeu:
“não vai rolar; parece nome de música sobre drogas, mas nós somos uma banda que
bebe”. Nenhum deles apostava que passaria mais de 30 anos tocando “durrh-durrh”
toda noite, tamanho o sucesso que a música alcançou. Apesar de ter sido gravada
em dezembro, ela só entrou no setlist em 9 de março, num show na BBC. Essa primeira
apresentação consta de In Concert 1970-1972.
O ano de 1972 é movimentadíssimo, e nele o Deep Purple chegou pela
primeira vez ao Japão, onde foi gravado seu mais famoso disco ao vivo, Made in
Japan. Na Itália, o grupo também preparava a gravação de Who Do We Think We
Are. O ritmo de trabalho da banda, porém, custou caro a eles. Por diversas
vezes, membros do grupo ficaram doentes. Randy California chegou a substituir
Blackmore em um show, e Roger Glover substituiu Gillan em outro. Os
relacionamentos entre os membros – e especialmente entre Gillan e Blackmore –
não iam bem também. Em dezembro, Gillan entregou seu pedido de demissão,
avisando que deixaria o grupo no final de junho de 1973, dando aos empresários
e aos colegas seis meses para decidir o que fazer do grupo.
Tempo de Mudanças.
Em 29 de junho de 1973, na segunda viagem do grupo ao Japão e após um
show impecável, em que Jon Lord incluiu o “Parabéns a você” para Paice em seu
solo de teclado (era o aniversário do baterista), Ian Gillan volta ao palco e
avisa que seria o último show do Deep Purple. Durante o show, não havia nenhum
outro sinal de desgaste. Em retrospecto, o silêncio de Gillan na hora de cantar
o verso “no matter what we get out of this” (”não importa o que possamos tirar
disso”) em “Smoke on the Water” podia indicar que tudo o que ele poderia tirar
daquilo já havia acabado. Glover também deixou o grupo, passando a se dedicar à
produção, no departamento artístico da Purple Records – a gravadora do grupo.
O primeiro novo integrante recrutado para o Deep Purple, logo após o fim
da Fase II, foi o baixista Glenn Hughes, que cantava e tocava baixo no Trapeze.
A dupla habilidade empolgou Blackmore e Lord, mas ele não seria deixado sozinho
nos vocais. O plano do Deep Purple era buscar a voz de Paul Rodgers, do Free.
Após um primeiro contato, ele pediu um tempo para pensar e decidiu continuar
com sua banda. Enquanto seguia a busca pelo novo vocalista, Blackmore e Hughes
iam se conhecendo e tocando juntos. O que se tornaria o blues “Mistreated”, sem
a letra, foi composto nessa época.
A hipótese de tocar o grupo com apenas quatro membros foi cogitada, mas
a ideia de ter dois vocalistas falou mais alto. Com essa idéia nas ruas, os
empresários do Deep Purple não paravam de receber fitas de novos artistas. Uma
delas fora enviada por um rapaz de 21 anos, gordinho e cheio de espinhas, que
cantava desde os 15 anos e ganhava a vida vendendo roupas da moda numa
boutique: David Coverdale. Sua banda e o Deep Purple já haviam cruzado caminhos
em novembro de 1969, num show na universidade de Bradford, quando Gillan e
Glover haviam acabado de entrar para o Deep Purple. O teste de Coverdale
ocorreu em agosto de 1973. Durante seis horas, eles tocaram material do Deep
Purple e rocks mais conhecidos, como “Long Tall Sally” e “Yesterday”. Quando Coverdale
foi pra casa, o restante do Deep Purple saiu para beber e decidiu: era o
gordinho mesmo (nos meses seguintes, os empresários da banda lhe dariam alguns
remédios para afinar a aparência).
Em 9 de setembro, o novo grupo se trancou por duas semanas no Castelo de
Clearwell para compor. Empolgadíssimo, Coverdale – cuja experiência de palco
era apenas com a gravação de demos – escreveu quatro letras diferentes para a
música que seria “Burn”. Uma delas se chamava “The Road”. No dia 23, um dia
depois de Coverdale completar 22 anos, a Fase III foi apresentada à imprensa
inglesa. Em novembro, foi gravado o disco Burn, novamente em Montreux, com a
mesma unidade móvel dos Rolling Stones com que foi gravado Machine Head. A nova
equipe estrearia no palco em 8 de dezembro, na Dinamarca. Era a estréia da Fase
3 do Deep Purple. O disco só sairia em 1974.
O som da nova formação era marcado pela maior velocidade e técnica de
Blackmore na guitarra e pela tensão entre os dois cantores. No estúdio, os
duetos eram perfeitos. No palco, Hughes punha a trabalhar toda a potência de
seus pulmões sempre que podia, muitas vezes chegando a intimidar Coverdale. O
baixista e cantor também acrescentou à receita do Deep Purple uma boa pitada de
tempero funky – que Blackmore aceitou inicialmente a contragosto, por entender
que apesar de este estilo estar nas paradas de sucesso da época, não fazia
parte, até então, dos elementos constitutivos do som do Deep Purple.
Em 6 de abril de 1974, o grupo se apresentou na Califórnia para uma platéia
de 200 mil pessoas – era o festival California Jam, que duraria 12 horas e
seria liderado pelo Deep Purple. O show, e particularmente o mau humor de
Blackmore com o fato de ter de começar a tocar antes do anoitecer com câmeras
em cima do palco, ficou famoso por ser explosivo: o guitarrista destruiu uma
câmera em funcionamento com sua guitarra e, não contente, explodiu um
amplificador. A silhueta do guitarrista em frente às chamas do amplificador é
uma das cenas mais poderosas de toda a iconografia do rock. Trinta anos depois,
Josh White, diretor de filmagens do evento, lembrou de como ele pode tê-lo
induzido a isso:
“Eu falei com ele na noite anterior. O Deep Purple fez um ensaio
técnico, e eu perguntei se ele ia quebrar a guitarra dele. E Richie disse:
’sim, talvez. Sei lá, que merda’. Ele estava meio puto com várias coisas que
não tinham nada a ver comigo. E eu disse: ‘Veja, se você for quebrar a
guitarra, privilegie a câmera. Vou fazer uma bela filmagem e vai ficar genial’.
E ele privilegiou bem a câmera, gerando US$ 8 mil de prejuízo.”
A terceira formação do Deep Purple acabaria um ano depois de California
Jam, em 7 de abril de 1975, uma semana antes de Blackmore completar 30 anos de
idade. Era a turnê de lançamento do disco Stormbringer na Europa. Com ainda
mais balanço funk, o disco desagradou bastante a Blackmore. Ele já tinha
algumas idéias na cabeça, e ao sair já tinha uma nova banda formada: o Rainbow.
Restava ao grupo o dilema entre continuar sem Blackmore – o criador de todos os
riffs que tornaram o Deep Purple famoso – ou partir para outra, aproveitando
que o grupo era um dos mais lucrativos de toda a história do rock.
Decidiram continuar, convidando o guitarrista Tommy Bolin, o primeiro
norte-americano a fazer parte do grupo. Com essa formação (Fase IV), gravam
Come Taste the Band, ainda mais suingado. A turnê é complicada, um tanto devido
aos problemas de Bolin e Hughes com drogas. Em vários shows, como o registrado
em Last Concert in Japan, Bolin não conseguia tocar porque seu braço estava
anestesiado de drogas. Garotos talentosos, de vinte e poucos anos, ao entrar em
uma máquina de fazer dinheiro na indústria do entretenimento, correm o sério
risco de perderem o senso de proporção. Foi o que ocorreu na época.
Bolin tinha dois agravantes: insegurança e baixa auto-estima. Tudo isso
apesar de ter gravado belíssimos discos solo, ser considerado um gênio da
guitarra e ter tocado com magos do jazz como o baterista Billy Cobham. Bolin
não suportava ser comparado pelos fãs aos carismáticos antecessores que teve em
grandes grupos de rock. O Deep Purple era a segunda vez em que ele substituía
um grande guitarrista – anteriormente, havia tocado na James Gang. No Deep
Purple, ele chegou a discutir com a platéia por algumas vezes, durante apresentações.
O Fim.
Ao final do show de 15 de março de 1976, em Liverpool, David Coverdale
desabafa com Lord: não havia mais clima para continuar com o Deep Purple. Lord
desabafa de volta: não havia mais um Deep Purple para continuar. Acabou assim,
em clima de confidência, a banda criada oito anos antes e que chegou a figurar
no Guinness dos recordes como a mais barulhenta do mundo. Oito meses depois,
Bolin morreria de overdose no Resort Hotel de Miami, após uma apresentação. E
durante oito anos o Deep Purple permaneceria fora do ar.
Nesse período, os membros da banda fariam suas próprias carreiras e
plantariam as bases para os futuros desenvolvimentos do Deep Purple. Por ordem
de saída:
Ian Gillan – Depois de um breve período de reclusão em que vendeu
motos e tentou ter um hotel, foi resgatado para os palcos por Roger Glover e
sentiu-se animado o suficiente para criar sua própria banda, a Ian Gillan Band.
Numa espécie de jazz-rock, seguiu até o início dos anos 80. Em 1982, dissolveu
a banda, para no ano seguinte gravar um disco com o Black Sabbath: Born
Again.
Roger Glover – Inicialmente, permaneceu próximo à Purple Records e
foi quem mais teve contato com todos os galhos da gigantesca árvore genealógica
do Deep Purple. Dois anos depois, conseguiu juntar no mesmo palco os melhores
músicos da Inglaterra (muitos deles membros ou ex-membros do Deep Purple, ou
seus colegas em outras bandas), no musical Butterfly Ball. Foi a primeira
aparição pública de Ian Gillan após o fim do Deep Purple, substituindo Ronnie
James Dio (que cantava no Rainbow de Blackmore e passaria depois pelo Black
Sabbath). Produziu outras bandas, gravou dois discos solo e voltou a tocar
baixo no Rainbow de Blackmore.
Ritchie Blackmore – Com o Rainbow, teve uma das bandas de hard rock
de maior sucesso do final dos anos 70 e início dos anos 80, apontando o
holofote para músicos como Joe Lynn Turner e Don Airey, que anos mais tarde
participariam do Deep Purple. Roger Glover chegou a tocar com ele.
David Coverdale – Após dois discos solo, formou o Whitesnake e
invadiu as paradas de FM dos anos 80. Na banda, tocou com Jon Lord e Ian Paice.
De quando em quando, reúne o Whitesnake para turnês.
Jon Lord – Teve uma carreira solo interessante, misturando suas
várias influências musicais (clássico, rock e jazz). Compôs trilhas sonoras de
filmes com Tony Ashton e os dois se juntaram a Paice para o projeto Paice,
Ashton e Lord. Mais tarde, uniu-se a Coverdale no Whitesnake.
Ian Paice – Tocou com diversos músicos, inclusive com Gary Moore,
além de Paice, Ashton e Lord e Whitesnake.
Glenn Hughes – Reuniu o Trapeze, gravou vários discos solo, tocou
com Gary Moore e Pat Thrall, lutou consigo mesmo para se livrar das drogas,
cantou no Black Sabbath e mais recentemente gravou dois discos com o também
ex-Deep Purple Joe Lynn Turner: o Hughes-Turner Project (HTP).
O Recomeço.
Em 1984 é
anunciada a volta do Deep Purple com a sua formação de maior sucesso (Fase II),
com Gillan, Blackmore, Paice, Glover e Lord. É lançado o essencial Perfect
Strangers, que foi seguido por Nobody Perfect (ao vivo) e pelo fraco The House
of Blue Light. Gillan decide sair novamente da banda e em seu lugar entra Joe
Lynn Turner, ex-vocalista de uma fase do Rainbow. Com novo vocal é lançado o
discutível Slaves & Masters. Após uma fraca turnê, é dado um ultimato a
Ritchie Blackmore pelos membros da banda e seu empresário: ou Ian Gillan volta,
ou era ele quem iria embora. O ano de 1993 traz a volta de Gillan e o lançamento
de The Battle Rages on. Ritchie Blackmore entra em conflito constantemente com
o restante da banda e larga o Deep Purple durante a turnê para remontar o
Rainbow. No seu lugar entra o guitar-hero Joe Satriani, apenas para quebrar o
galho. Os discos em que Satriani toca com o Purple são itens raros e todo
colecionador procura, pois nunca esta formação gravou algo oficial. Apesar de
ser convidado a permanecer na banda, Satriani recusa para continuar em sua
prolífica carreira-solo. Para o lugar de Blackmore entra Steve Morse, grande fã
da banda e que já havia tocado no Dixie Dregs e no Kansas.
(1994-Presente)
A chegada de Morse revitalizou a banda de forma criativa, e, em 1996, um novo álbum intitulado Purpendicular foi lançado, mostrando uma grande variedade de estilos musicais, embora ele nunca tenha feito sucesso nas paradas na Billboard 200 nos EUA.
Mark VII, em seguida, lançou um novo álbum ao vivo Live at the Olympia '96, em 1997. Com uma composição renovada, Deep Purple realizou turnês de sucesso em todo o resto da década de 1990, lançando o álbum de difícil sonoridade Abandon em 1998, e saiu em turnê com entusiasmo renovado. Em 1999, Lord, com a ajuda de um fã holandês, que também era musicólogo e compositor, Marco de Goeij, meticulosamente recriou o Concerto for Group and Orchestra, mas a trilha sonora original tinha sido perdida. Ela foi mais uma vez realizada no Royal Albert Hall, em setembro de 1999, desta vez com a Orquestra Sinfônica de Londres conduzida por Paul Mann. O show também contou com músicas de carreiras solo de cada membro, bem como do Deep Purple como conjunto, e a ocasião foi comemorada em 2000 no álbum Live at the Royal Albert Hall. Em 2001, em uma caixa, foi lançada The Soundboard Series, com shows da Austrália de 2001 e mais dois de Tóquio, no Japão.
Grande parte dos anos seguintes foram gastos na estrada em turnê. O grupo continuou à frente até 2002, quando o membro- fundador Lord (que, junto com Paice, era o único membro presente em todas as encarnações da banda) anunciou sua aposentadoria amigável da banda para seguir projetos pessoais (especialmente trabalho orquestral). Lord deixou seu órgão Hammond ao seu substituto, o veterano Don Airey (Rainbow, Ozzy Osbourne, Black Sabbath, Whitesnake), que tinha ajudado Deep Purple quando Lord machucou o joelho em 2001. Em 2003, Deep Purple lançou seus primeiros álbuns de estúdio em cinco anos (Bananas) e começou a excursionar para divulgá-lo. A EMI Records se recusou a renovar o contrato com Deep Purple, possivelmente devido às vendas menores do que eram esperadas. Na verdade In Concert with the London Symphony Orchestra vendeu mais que Bananas. A maioria das músicas tocadas em seus shows ao vivo consistem em material de 1970. Em julho de 2005, a banda tocou no concerto Live 8 em Park Place (Barrie, Ontario) e, em outubro lançou seu álbum, Rapture of the Deep, que foi seguido pelo arrebatamento de longa turnê. Dois álbuns de estúdio Mark VIII foram produzidos por Michael Bradford, que é conhecido como rap ou músico pop.
Em fevereiro de 2007, Gillan pediu aos fãs para não comprar o álbum ao vivo Come Hell or High Water que estava sendo lançado pela Sony BMG. As gravações deste show foram lançadas anteriormente sem a ajuda de Gillan ou quaisquer outros membros da banda, mas ele disse: “Foi um dos pontos mais baixos de minha vida – de todas as nossas vidas, na verdade”. Em 2009, Ian Gillan disse: “As vendas de discos estão diminuindo, mas as pessoas estão dispostas a pagar muito por ingressos de shows”. Além disso, Gillan afirmou: “Eu não acho que a felicidade vem com o dinheiro”. Em 2011, o Deep Purple fez turnês em 48 países. As canções que construíram o Rock Tour contaram com uma orquestra de 38 elementos, e incluiu uma apresentação no O2 Arena de Londres. Até maio de 2011, os membros da banda tinham discordado sobre a possibilidade de fazer um novo álbum de estúdio, porque ele não iria realmente fazer mais dinheiro. Roger Glover afirmou que o Deep Purple deveria fazer um novo álbum de estúdio, “mesmo que isso nos custe dinheiro”.
No início de 2011, David Coverdale e Glenn Hughes disse a VH1 que eles gostariam de se reunir com a formação de Deep Purple Mark III para a oportunidade certa, como um concerto beneficente. Engenheiro de som, chefe da banda atual em nove anos de excursões, Moray McMillin morreu em setembro de 2011, aos 57 anos.
Depois de um monte de sessões de composição na Europa, Deep Purple decidiu gravar durante o verão de 2012, e a banda anunciou o lançamento de seu novo álbum de estúdio em 2013. Steve Morse anunciou à revista francesa Rock Hard que o novo álbum de estúdio seria produzido pelo respeitado Bob Ezrin, que é conhecido por seus trabalhos com Alice Cooper, Kiss e Pink Floyd. Em 16 de julho de 2012, o co-fundador membro da banda e ex-tocador de órgão, Jon Lord, morreu em Londres, aos 71 anos. Em dezembro de 2012, Roger Glover revelou em uma entrevista que a banda havia terminado o trabalho em 14 canções para um novo álbum de estúdio , com 11 ou 12 faixas definidas para aparecer no último álbum a ser lançado em 2013. Em 26 de fevereiro de 2013, o título do novo álbum da banda foi anunciado Now What?!, gravado e mixado em Nashville, Tennessee.
O Melhor Riff da História do Rock.
Em abril de 2008, os alunos da London Tech Music School, uma das mais
conceituadas escolas de música da Grã-Bretanha e de onde saíram integrantes de
bandas como o Radiohead, The Kinks e The Cure, elegeram o clássico “Smoke on
the Water”, um dos maiores sucessos da banda, como o maior riff de todos os
tempos na história do rock, na frente de outros clássicos como “Smells Like
Teen Spirit” do Nirvana, Sweet Child O’Mine do Guns N’ Roses “My Generation” do
The Who e “Born To Be Wild” do Steppenwolf.
Integrantes
Atuais
- Ian Paice (Bateria, Percussão, 1968–1976, 1984–At)
- Roger Glover (Baixo, 1969–1973, 1984––At)
- Ian Gillan (Vocal, Harmônica, Percussão, 1969–1973, 1984–1989, 1992–At)
- Steve Morse (Guitarra, 1994–At)
- Don Airey (Órgão, Teclado, 2002-At)
Ex-Integrantes
- Jon Lord (Órgão, Teclado, Vocal de Apoio, Arranjos de Cordas (Março De 1968-Março de 1976, Abril fe 1984-Fevereiro de 2002, R.I.P 2012)
- Ritchie Blackmore (Guitarra, Março de 1968–Junho de 1975, Abril de 1984-Novembro De 1993)
- Rod Evans (Vocal, Março de 1968-Julho de 1969)
- Nick Simper (Baixo, Vocal de Apoio, Março de 1968-Julho De 1969)
- Glenn Hughes (Baixo, Vocal, Julho de 1973-Março de 1976)
- David Coverdale (Vocal, Agosto de 1973-Março de 1976)
- Tommy Bolin (Guitarra, Vocal, Baixo, Junho de 1975-Março de 1976, R.I.P 1976)
- Joe Lynn Turner (Vocal, Dezembro de 1989-Agosto de 1992)
- Joe Satriani (Guitarra, Dezembro de 1993-Julho de 1994)
Discografia
Álbuns de
estúdio
- Shades of Deep Purple (1968)
- The Book of Taliesyn (1968)
- Deep Purple (1969)
- In Rock (1970)
- Fireball (1971)
- Machine Head (1972)
- Who Do We Think We Are (1973)
- Burn (1974)
- Stormbringer (1974)
- Come Taste the Band (1975)
- Perfect Strangers (1984)
- The House of Blue Light (1987)
- Slaves and Masters (1990)
- The Battle Rages On... (1993)
- Purpendicular (1996)
- Abandon (1998)
- Bananas (2003)
- Rapture of the Deep (2005)
- Now What?! (2013)
Videos
